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Taquicardia no plantão: estável ou instável?

São três da manhã. O monitor apita 190. O paciente está pálido, sudoreico, e responde devagar quando você chama. A reação instintiva de muita gente é encarar o traçado e caçar o nome do ritmo. É o instinto errado. No ACLS, a pergunta que vem antes de qualquer nome é outra: esse paciente está estável?
 
Essa única pergunta reorganiza toda a conduta. Ela decide se você tem minutos para pensar ou segundos para agir. E ela não depende de você reconhecer o ritmo de imediato.

O que define a instabilidade

Instabilidade não é opinião, é um conjunto de sinais objetivos. Hipotensão. Dor torácica de padrão isquêmico. Sinais de choque, como pele fria, sudorese e má perfusão. Alteração aguda do nível de consciência. Sinais de insuficiência cardíaca aguda.
Quando a taquiarritmia é a causa disso, o tempo de teorizar acabou. O erro clássico aqui é hesitar: o médico vê a frequência alta, fica fascinado pelo ECG e perde a janela. Reconhecer a instabilidade rápido é a habilidade que separa quem resolve de quem observa.

Paciente instável: cardioversão elétrica sincronizada

Taquicardia com pulso e instável tem resposta direta: cardioversão elétrica sincronizada. Sincronizada, não desfibrilação. A diferença é técnica e importa. O choque precisa cair sobre o complexo QRS, e não em qualquer ponto do ciclo, para não induzir uma fibrilação.
 
Como referência de energia inicial, uma taquicardia supraventricular costuma responder em torno de 100 J, e a fibrilação atrial em torno de 200 J. Confirme sempre o padrão do seu equipamento, porque a energia bifásica varia por fabricante. Antes de cardioverter um paciente consciente, sede e analgesie se o tempo permitir. Mas não deixe a sedação atrasar o tratamento de quem está deteriorando na sua frente.
Um detalhe que salva: chame ajuda e prepare a sedação em paralelo, não em sequência. Enquanto um profissional monta o material da cardioversão, outro pega o acesso e monitoriza. Emergência é trabalho de equipe, e essa coreografia se treina até sair sem pensar.

Paciente estável: agora dá tempo de pensar

Se o paciente está estável, você ganhou tempo, e tempo bem usado é meio caminho. Olhe a largura do QRS.
 
QRS estreito e regular sugere taquicardia supraventricular. Comece pela manobra vagal. Se não reverter, adenosina: 6 mg em bolus rápido, seguida de flush, e uma segunda dose de 12 mg se necessário. A adenosina tem meia-vida de segundos, então a velocidade da injeção faz parte do tratamento.
 
QRS largo pede cautela. Pode ser uma taquicardia ventricular, e tratá-la como se fosse supraventricular é perigoso. Aqui entram a avaliação especializada e o antiarrítmico, e a decisão precisa de mais informação, não de menos.

Os erros que a gente vê no plantão

Três se repetem. Demorar a reconhecer a instabilidade, porque o ECG rouba a atenção. Confundir cardioversão com desfibrilação e disparar um choque não sincronizado. E empurrar adenosina numa taquicardia de QRS largo sem pensar duas vezes. Cada um custa tempo, e no paciente instável tempo é desfecho.
 
Nada disso é decoreba. É treino. É a diferença entre saber a teoria e executar sob pressão, com a família na porta e o monitor apitando. É exatamente isso que o ACLS constrói: a resposta automática para o momento em que não há tempo de consultar o livro.

Acabar com a insegurança do meu plantão

BLS – Basic Life Support (Suporte Básico de Vida)

Este curso é destinado a todos os profissionais de saúde (estudantes de todas as áreas de saúde, técnicos, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, dentistas…)
Está focado na reanimação cardio pulmonar de adultos, crianças e bebês. Também aborda o manejo do engasgo. Curso com 5h de duração.

CRONOGRAMA

Tópicos Congresso
EME Life Support Update
Mediador Geral: Dr Gustavo
Dia 13/12, das 9 às 17h
Duração total: 8h

Temas Gerais:

ATLS – 11a edição – Dr Gustavo (1h30min)
Convidado mesa discussão: a definir
PALS – Dr João Gabriel (1h)
Tópicos: mudanças no PALS e nova cadeia de sobrevivência do lactente
BLS – Adulto e Pediátrico (1h)
Enf Deivid e Enf Maicon
Tópicos: OVACE; técnica de ventilação-compressão nas diferentes idades; técnicas de compressão em bebês
ACLS – Dra Monique (1h)
Atualizações nas taquiarritmias
Atualizações nas bradicardias
ACLS – Pós-PCR (1h)
Dr Gustavo / Enf Jonathan
Modificações no manejo pós PCR
Capítulo sobre Ética (30 min)
Enf Marco Campos

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